Idealizar um projecto para uma “start-up” é, talvez, a tarefa mais fácil de um empreendedor. Ideias não faltam, sobretudo quando se trata de projectos na área da Nova Economia, onde as oportunidades de negócio se mantêm em aberto. Difícil é passar da ideia ao “business plan”, deste à obtenção de financiamento e daqui a um negócio real. Elaborado o plano de negócios – uma tarefa facilitada pela proliferação de sites de internet especializados na matéria –, a primeira grande dificuldade com que um empreendedor se depara diz respeito à obtenção de financiamento. Animado pela certeza de que idealizou um projecto de sucesso, o promotor de um novo negócio cai no erro de pensar que, entre apresentar a ideia a uma incubadora e criar uma empresa, não passam mais do que quatro ou cinco semanas. Mas engana-se. A decisão sobre a concessão de apoio a um determinado projecto é um processo moroso, sobretudo numa altura em que o grau de exigência relativamente à viabilidade dos projectos aumenta diariamente, em resultado das centenas de “start-ups” fracassadas no ano passado. Perante uma ideia de negócio, as incubadoras começam por tentar avaliar a realidade do negócio e as suas perspectivas de rentabilidade. Muitas vezes, desencadeiam um processo de investigação demorado, que passa pela análise do ambiente concorrencial, pela elaboração de estudos de mercado e pela avaliação da experiência e capacidade da equipa de gestão. Todas estas diligências são demoradas e podem levar um empreendedor mais inexperiente a desesperar. Procure não desesperar, resista. Ana Ardi, uma das responsáveis da Flatiron Partners, uma empresa de capital de risco sediada em Nova Iorque, recomenda alguns truques que podem ajudar os promotores mais nervosos a resistir. “Se apresentou a sua ideia de negócio de forma aprofundada e sentiu que o projecto foi bem recebido pela capital de risco, não hesite em procurar obter informações sobre o andamento do processo. Faça um telefonema, envie um ‘e-mail’, escreva uma carta. Faça tudo o que for necessário para obter uma resposta”, aconselha a especialista. Se o projecto não foi bem recebido, faça perguntas. Procure perceber por quê. Faça uma análise aprofundada das respostas obtidas, por forma a poder corrigir eventuais erros. Esta avaliação pode ser determinante quando procurar obter apoio junto de outro possível financiador. Um postura activa e interessada é igualmente importante para manter a motivação da sua equipa. E se a incubadora está reticente em conceder-lhe apoio, procure ir ao encontro das suas preocupações, dê-lhe conta dos eventuais desenvolvimentos do projecto desde a primeira apresentação. Esta dialéctica pode ser um meio importante para que um empreendedor alcance os seus objectivos. Afinal, neste processo de interacção, os possíveis financiadores vão julgá-lo pelo seu profissionalismo e empreendedorismo. Se o promotor tiver uma postura agressiva, leia-se perseverante, os responsáveis da incubadora vão sentir a sua paixão, a sua determinação e vão vê-lo como alguém responsável, colaborante e interessado. Perante as dificuldades, resista. Mas cedo ou mais tarde, se for autor de uma boa ideia de negócio, vai obter o tão desejado financiamento.
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